Segunda-feira, 5 de Novembro de 2012
Teste de Filosofia do 11º ano de escolaridade (Outubro de 2012)

 

Eis um teste de filosofia para o 11º ano de escolaridade em Portugal, dado a meio do primeiro período lectivo.

 

Escola Secundária Diogo de Gouveia com 3º Ciclo, Beja
TESTE DE FILOSOFIA, 11º ANO TURMA A
30 de  Outubro de 2012.            Professor: Francisco Queiroz

 

I
1) Considere o seguinte silogismo:

 

 

«Alguns homens são filósofos.»
«Alguns filósofos são pensadores.»
«Os homens são pensadores.»

 

 

A) Indique, concretamente, três regras da construção formalmente válida do silogismo que foram infringidas no silogismo acima.

B)  Indique o modo e a figura do silogismo. Justifique.

 

 

2) Construa o quadrado lógico das oposições à proposição «As mulheres de Moura são independentes».

 

 

3) Aplique, justificando, o princípio do terceiro excluído à tríade realismo-idealismo-fenomenologia.

 

 

4)Construa um silogismo modus ponens e um silogismo modus tollens a partir da seguinte premissa: «Se filosofar, ultrapassarei o senso comum.»

 

 

5) Distinga lógica formal de lógica informal.
 
6) Disserte livremente sobre o seguinte tema:

 

«A metafísica e a ontologia: baseiam-se em percepções empíricas, em conceitos empíricos, em raciocínios ou em intuições noéticas?  Usam mais a dedução, a indução (amplificante necessitarista, probabilística) ou a analogia?  Justifique.»

 

 

 

« CORREÇÃO DO TESTE (COTAÇÃO MÁXIMA DE 20 VALORES)»

 

1) A) Três regras da validade formal de um silogismo regular infringidas no silogismo são: de duas permissas particulares («Alguns») nada se pode concluir; o termo médio tem de estar tomado universalmente ao menos uma vez nas premissas( ora, o termo médio «filósofos» é sempre particular, «alguns filósofos», em ambas as premissas); a conclusão não pode ter maior extensão que as premissas ( «Todos os homens» na conclusão é um termo universal e as premissas são particulares).  (NOTA: A RESPOSTA VALE TRÊS VALORES). 

 

1) B) O modo do silogismo é a sua classificação mediante três letras (A,E, I, O), espelhando o tipo de proposição de cada premissa e da conclusão. Neste caso o modo é IIA (premissas particulares afirmativas, proposição tipo I, conclusão universal afirmativa, A). (NOTA: ESTA PARTE DA RESPOSTA VALE UM VALOR) . A figura do silogismo é a sua classificação consoante a posição do termo médio nas premissas. Há 4 figuras possíveis e a deste silogismo é PS ( Predicado, Sujeito), isto é, a quarta figura, em que o termo médio ("filósofos") é predicado na primeira premissa e sujeito na segunda. (NOTA: ESTA PARTE DA RESPOSTA VALE UM VALOR).

 

 

2)    A                        E

       


         I                         O


O quadrado lógico tem no vértice superior esquerdo a proposição «As mulheres de Moura são independentes», proposição tipo A, universal afirmativa, e no vértice superior direito a proposição «Todas as mulheres de Moura não são independentes», proposição tipo E, universal negativa. A relação entre A e E é: contrárias. No vértice inferior esquerdo está a proposição «Algumas mulheres de Moura são independentes», proposição de tipo I, particular afirmativa. No vértice inferior direito figura a proposição «Algumas mulheres de Moura não são independentes», proposição de tipo O, particular negativa. A relação entre as proposições I e O é subcontrárias. As relações de diagonal entre as proposições A e O, por um lado,  e E e I, por outro lado, são (imperfeitamente) designadas por contraditórias. A proposição I é subalterna à proposição de tipo A, a proposição de tipo O é subalterna à proposição de tipo E. (NOTA: A RESPOSTA VALE DOIS VALORES)

 

3) O realismo ontológico, enquanto doutrina da existência de um mundo real de matéria separado das consciências humanas, opõe-se ao idealismo ontológico, enquanto doutrina de que o mundo de matéria não é mais que ideias e imagens a flutuar fora do corpo do sujeito. A fenomenologia, enquanto ontologia heideggeriana, é céptica: não apoia o realismo nem o idealismo. O princípio do terceiro excluído diz que em cada tema só há dois campos. Neste caso, a gnosiologia (por alguns chamada epistemologia) ou é realismo ou não é realismo (idealismo + fenomenologia), não havendo a terceira hipótese. (NOTA: ESTA RESPOSTA VALE QUATRO VALORES)

 

4) Silogismo condicional tipo modus ponens:

     «Se filosofar, ultrapassarei o senso comum.»

      «Filosofo.»

       «Logo, ultrapasso o senso comum» .    (NOTA: VALE UM VALOR)

 

      Silogismo condicional tipo modus tollens:

      «Se filosofar, ultrapassarei o senso comum»

       «Não ultrapassei o senso comum.»

        «Logo, não filosofei.»         (NOTA: VALE UM VALOR)

 

5)  A lógica formal é a ciência das regras abstractas do pensamento, do «esqueleto» do pensar. Usa três princípios: identidade, não contradição, terceiro excluído. A lógica informal é a ordenação do pensamento com base em percepções empíricas e conceitos empíricos ou metafísicos, isto é, o conteúdo concreto do pensamento empírico e racional, a «carne do pensar». Exemplos: «Os deuses criaram o universo», «O universo é incriado e eterno», «O Alentejo tem paisagens lindíssimas de sobreiros e azinheiras». A lógica informal engloba a lógica formal mas adiciona-lhe o alógico das intuições empíricas ou inteligíveis.  (NOTA: VALE DOIS VALORES).

 

 

6) Metafísica é a região invisível e impalpável que (supostamente) está além do mundo físico, visível, audível e palpável. Ontologia é a teoria do ser, do ente (ón, em grego). Se tomarmos ontologia no sentido geral, esta é a teoria de tudo o que existe, na matéria, no raciocínio ou na imaginação, e então a metafísica, do mesmo modo que as teorias científicas, os mitos e os próprios objectos físicos se incluem na ontologia.  A ontologia geral, enquanto base das ciências e do senso comum, baseia-se em percepções empíricas (Visão, audição, tacto de algo) e forma juízos (frases declarativas simples, ligando dois ou mais conceitos; exemplo: «o átomo de hidrogéneo é o mais abundante no universo») e também raciocínios (articulação lógica e inferencial de dois ou mais juízos), sendo muitos desses juízos induções amplificantes necessitaristas que generalizam a partir de alguns casos ( exemplo, da Astrologia Histórica que investigo e elaboro: em 23 de Janeiro de 1909, quando Vénus deslizou em 8º-9º do signo de Capricórnio, um sismo em Fars, no Irão, matou 7000 pessoas, em 22 de Fevereiro de 2005, com Marte a transitar os graus 10º-11º do signo de Capricórnio, um sismo abalou Kerman, no Irão, fazendo 602 mortos, em 20 de Dezembro de 2010, quando Marte transitava 8º-9º do signo de Capricórnio, eclodiu um sismo em Bam, no Irão, matando 11 pessoas, portanto, induzo que o trânsito de um planeta na área 7º-10º de Capricórnio é factor gerador de  sismos no Irão e infiro que, de 26 de Novembro a 1 de Dezembro de 2012,  quando Marte transitar a área 7º-10º de Capricórnio eclodirá um novo sismo no Irão).

 

Há também a indução probabilística, mais incerta que a necessitarista (exemplo: o dono de um restaurante serviu 35 refeições num sábado, 45 no sábado seguinte, 39 no terceiro sábado e induz poder vir a servir cerca de 40 refeições no próximo sábado).  A metafísica pode usar a percepção empírica como ponto de partida (exemplo: olhar as abóbadas góticas de uma catedral é uma percepção empírica que pode levar a intuir noeticamente, isto é, através da idealização metafísica, da captação intelectual de uma essência invisível,  o que será Deus ou se há deuses no alto) mas constrói raciocínios de analogia, que estabelecem semelhanças entre objectos bastante diferentes entre si ( exemplo: Deus construiu o mundo como um relojoeiro constrói um relógio) e raciocínios dedutivos, inferências que partem do geral para o particular (exemplo: «Deus ama todos os homens, logo também ama os bejenses e a mim»). (NOTA: VALE CINCO VALORES).

 

www.filosofar.blogs.sapo.pt

 

f.limpo.queiroz@sapo.pt

 

© (Direitos de autor para Francisco Limpo de Faria Queiroz)



publicado por Francisco Limpo Queiroz às 19:30
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